No entanto, mais do que isso, a sustentabilidade na arquitetura também considera as construções como organismos vivos que afetam diretamente o meio onde estão inseridos. Afinal, esta ideia é pensada com base não somente com base nos impactos ambientais, mas também sociais e econômicos. Green Building se refere a toda iniciativa de construção civil que usa recursos naturais de forma eficiente, promove conforto entre as pessoas, tem uma vida útil ampliada e é adaptável às mudanças de necessidades dos usuários.
Nessa época, as crenças sobre o aquecimento global já estavam bem mais disseminadas, o que contribuiu para reforçar a importância desse tipo de obra para o bem estar do planeta e das pessoas. Quando falamos em construções sustentáveis, é fundamental ter em mente que podem ser empreendimentos que aplicam o conceito em pontos específicos ou mesmo utilizam para toda a parte de infraestrutura . A boa e velha tática dos janelões, que promovem boa ventilação e aproveitamento da luz natural, também pode ser usada. Depois da obra pronta, os arquitetos podem incluir algumas recomendações para o reaproveitamento dos resíduos gerados diariamente. Um dos exemplos são os lixos sanitários secos, que podem ser reintroduzidos como adubo em uma horta ou plantação.
Todo projeto de arquitetura sustentável deve prever o ciclo de vida da edificação, incluindo as diferentes formas de uso do espaço no decorrer do tempo. Os ambientes devem ser flexíveis e adaptáveis para que a construção possa ser adequada durante todo o período de ocupação. Isso não significa que não se falasse em usar de forma eficiente os recursos naturais e minimizar impactos dos projetos arquitetônicos antes das conferências da ONU. Paralelamente às discussões, o arquiteto e pesquisador Victor Olgyay definiu e publicizou o conceito de arquitetura bioclimática no livro “Design with Climate” (1963).
Uso de tecnologia inovadoras
A sustentabilidade deixou de ser um diferencial nos projetos arquitetônicos e atingiu um novo patamar de importância. Chamadas de construções sustentáveis, cada vez mais, engenheiros, arquitetos e designers priorizam, em seus trabalhos, boas ideias que contribuem para a preservação do meio ambiente, mas sem deixar de lado aspirações estéticas e funcionais. Para isso, podem ser implementados sistemas de captação, tratamento e reuso de água da chuva e também da água cinza ou de reuso. As águas pluviais ou de reuso podem ser utilizadas para lavar pisos, quintais, carros e regar plantas.

Atender as necessidades dos usuários
Uma estratégia para essa adaptação é o desenho arquitetônico bioclimático, que já descrevemos por aqui. O relatório “Our Common Future”, em especial, tem uma seção totalmente dedicada ao urbanismo e arquitetura sustentáveis, detalhando questões como o crescimento das cidades nos países em desenvolvimento, o planejamento urbano e a qualidade de vida das comunidades. O termo também se refere a um movimento de arquitetos, empresários e organizações não governamentais que se articulou em 1993, com a fundação do planta de casas para terreno 5×25 U.S. A entidade é responsável pela certificação de projetos LEED, sigla para “Leadership in Energy and Environmental Design”. Isso significa que, para um empreendimento ser considerado sustentável, ele deve promover a melhora na qualidade de vida das pessoas, integrando-se ao entorno, aos aspectos culturais e ao clima local. O uso da madeira certificada pode ser usada com maior abundância na construção civil – mas é preciso ter cuidado para não aplicá-la em locais de alta manutenção, como decks molhados.
O empreendimento de 200 m² contou com uma estrutura de pilares, vigas e parafusos de aço dispensa fundação e concretagem. Tudo é encaixado, do piso ao forro e o projeto foi feito praticamente todo planejado em marcenaria. Por fim, é importante dizer que esse tipo de projeto traz autonomia à população, já que eles tendem a se tornar autossuficientes e não dependem da manutenção de terceiros. O teto verde é coberto de plantas nativas, plantadas em recipientes de fibra de coco projetados. O telhado é plano em seu perímetro e torna-se ondulado como o terreno, dando origem às cúpulas que cobrem o planetário e a exposição da floresta tropical. A Noruega mostrou ao mundo que mesmo um aeroporto pode ser um exemplo de sustentabilidade.
Eficiência energética
A arquitetura sustentável é apenas uma parte da disciplina de sustentabilidade, a qual também abrange, além do meio ambiente, conceitos econômicos e sociais. É a preocupação em amenizar os impactos ambientais e aproveitar os recursos naturais, antes, durante e depois da obra. Como guardiãs tradicionais da terra, as comunidades indígenas possuem uma compreensão profunda de seus ecossistemas, materiais disponíveis localmente, normas culturais e restrições sociais. Esse conhecimento é valioso para a arquitetura contemporânea, podendo ajudá-la a se adaptar tanto às pessoas quanto aos seus ambientes. Observando o comportamento da natureza, o método proposto integra descobertas biológicas e matemáticas ao processo de design.
Em um projeto de dimensão bem menor do que as grandes indústrias e nada comparado à produção de poluentes por toda a população, ainda é possível aplicar as ideias propostas pela arquitetura sustentável. O projeto foi feito pelo estúdio East Sussex BBM em parceira planta de casas 5×25 com alunos da graduação e foi construído ao longo de um ano, entre 2013 e 2014. Suas fundações foram feitas com escória granulada de alto forno – um material de baixo impacto ambiental – e estão apoiadas em uma estrutura feita com madeira compensada.
“O grande problema das cidades não esta na falta de planejamento urbano, mas sim na falta de um planejamento das pessoas em relação ao ambiente em que vivem”, explica o arquiteto. A edificação se torna um exemplo dos benefícios que a preservação do meio ambiente e a economia verde trazem para a sociedade como um todo. Durante a operação, as pessoas devem ser orientadas a fazer um uso consciente do empreendimento, como evitar o desperdício de água e a geração de lixo.